ORDEM FRANCISCANA SECULAR - CAMPINAS
FRATERNIDADE SÃO FRANCISCO DE ASSIS
FRATERNIDADE SÃO FRANCISCO DE ASSIS
SANTOS FRANCISCANOS DA SEMANA


28 de maio

 

SANTA MARIA ANA DE JESUS PAREDES 

VIRGEM

da Ordem III

 

Nasceu em Quito, no Equador, em 1614.

Muito jovem, órfã de pai e mãe, consagrou-se a Deus na virgindade, mas não podendo entrar em mosteiro, entregou-se totalmente à oração, jejuns e outros exercício de piedade.

Admitida na Ordem Franciscana Secular, de ânimo alegre e bondoso, dedicou-se a obras de caridade na ajuda e proteção dos índios e dos negros.

Morreu no dia 24 de maio de 1644.

 

Oração do dia:

"Senhor nosso Deus, mesmo entre as atrações do mundo fizestes florescer, qual lírio entre espinhos, Santa Maria Ana de Jesus, em castidade virginal e austera penitência; concedei que, por seus méritos e intercessão, fujamos do mal e busquemos a perfeição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".

 

 

DE UM SERMÃO DO PAPA PIO XII

Embora brilhasse Maria Ana pela integridade da inocência, para expiar mais os pecados alheios do que os próprios, extenuava o corpo virginal com mortificações voluntárias e principalmente com frequentes jejuns, atormentava-o com ásperos cilícios e ensanguentava-o com cruéis flagelações. Carregada de pesada cruz, percorria as estações da via-sacra de Jesus Cristo padecente e, recordando piamente as dores do divino Redentor, retribuindo-lhe amor com amor, derramava copiosas lágrimas. Dormia pouco, no chão, ou sobre desnudos pedaços de madeira. Durante a maior parte da noite, de joelhos e com a mente e o espírito elevados a Deus, fazia súplicas, ou se dava à contemplação das coisas celestes.

Nem todos, especialmente em nosso tempo, entendem esta espécie de vida penitente, nem todos lhe prestam a devida honra; ao invés, muitos hoje menosprezam-na, aborrecem-na e negligenciam-na. No entanto, é de notar que depois da lastimável queda de Adão, que nos infeccionou a todos com o pecado original e nos tornou propensos aos atrativos dos vícios, precisamos todos absolutamente da penitência, segundo o dito: Se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo (Lc 13,3). Nada é mais eficiente para conter os movimentos desordenados da alma e submeter à reta razão dos apetites naturais.

Quando nos tornamos vencedores dessa luta, apesar de devermos continuamente, seguindo as pegadas de Jesus Cristo, crucificar nossa carne, tornar-se-nos-á suave, mesmo nesta vida mortal, fruir das alegrias do alto, tão superiores aos prazeres terrenos quanto a alma transcende o corpo e o céu excede a terra. A penitência santa, as mortificações voluntárias encerram certa doçura celeste que os bens caducos e perecíveis não podem dar.

Experimentou-o frequentemente Maria Ana de Jesus Paredes; às vezes, principalmente quando, impelida pelo amor de Deus e a caridade para com o próximo, sentiu penas muito duras a fim de expiar os pecados alheios, ou, fora dos sentidos e arrebatada em êxtase, percebeu e prelibou algo da eterna bem-aventurança. Assim modelada e elevada pela graça divina, não apenas atendeu à própria salvação, mas ainda, quando possível, à dos outros. Aliviava com liberalidade as misérias dos necessitados, suavizava os incômodos dos doentes; e quando gravíssimas calamidades públicas, como terremotos e pestes, aterrorizavam e atormentavam seus concidadãos, aquilo que o socorro humano não podia dar, empenhava-se suplicante em impetrar do Pai misericórdias, rezando, expiando, oferecendo a vida.

 


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30 de maio 

BEM-AVENTURADA BATISTA VARANO

VIRGEM

da Ordem II

 

Nasceu em Camerino, no ano de 1458, filha do duque da cidade.

Desejou, em 1481, entrar para as Clarissas Urbanianas, mas, pouco tempo depois, ela fundou um mosteiro em Camerino, do qual foi abadessa.

Grande devota de Jesus Cristo crucificado, foi agraciada de insignes dons do céu.

Escreveu diversos opúsculos, nos quais expôs a própria experiência mística, conduzindo os leitores aos caminhos da perfeição.

Morreu em 1524.

 

 

Oração do dia:

"Ó Deus, que exaltastes a virgem Bem-aventurada Batista pela meditação constante da paixão de vosso Filho Jesus Cristo, concedei-nos, por sua intercessão, trazer em nossos corações a mortificação da cruz e alcançar a vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

 

DA OBRA DENOMINADA ISTRUZIONI, DA BEM-AVENTURADA BATISTA VARANO

Com empenho, irmão, nos esforcemos por manter os olhos espirituais sempre vigilantes, sem adormecerem no sono da preguiça e da negligência, porque o reino dos céus é arrebatado à força, e são os violentos que o conquistam (Mt 11,12). Quero dizer, vivas na santa religião sem mergulhar no sono opressor de muitos que ingressaram na religião; logo abandonaram o primitivo fervor e realizam as obras sem aplicação de espírito. Empreenderam seguir a disciplina do mosteiro, as cerimônias, os preceitos da religião, mas praticam-nos à semelhança dos rebanhos, que seguem uma ovelha ou uma cabra que salte, sem saber por que razão. Assim, o religioso oprimido por sono espiritual mantém os costumes recebidos, sem considerar, porém, a finalidade ou utilidade dos mesmos.

Tu, porém, age com sabedoria e prudência, não sigas as pegadas dos estultos, mas em qualquer obra, leve ou pesada, ergue os olhos da mente para Deus, santifica a intenção da obra, suporta pacientemente as adversidades por amor de Deus. Aplica-te a cumprir tudo por amor de Deus, na oração, na leitura, na celebração do Ofício divino, no cumprimento dos deveres domésticos ou os mais humildes. Exerce as obras de caridade para com todos, válidos ou fracos. Certifica-te de que, se assim agires e frequentemente repetires com a mente elevada para Deus: "Senhor, tudo por teu amor", repeti-lo-ás sempre, mesmo sem nisso pensar.

Quis dar-te esse conselho para alimentares assiduamente ardoroso desejo de fazer penitência, e ao agires não cedas à própria vontade, antes observa as ordens de teus maiores. Se o fizeres, hás de adquirir muita graça junto da Santíssima Trindade, que olha o coração. Intenciona principalmente manter o coração sempre ardente de caridade, porque as moscas não se aproximam da água fervendo, mas apenas da água morna. De manira semelhante, o diabo, com todos os pensamentos imundos, foge e se distancia da alma inflamada de amor divino. Se a alma esmorece na caridade e esfria no amor divino, frequentemente sobrevoam e nela caem as moscas das vaidades e dos pensamentos inúteis, de onde derivam para a alma pestífera negligência e sonolência. Deste modo acontece que, na santa religião, muitos dormem, e dormindo julgam com falaz ilusão adquirirem a perfeição. Mas, ao se aproximar a morte, hão de verificar a falsidade de seus sonhos e ilusões, e descobrir terem apanhado apenas moscas com as próprias mãos.

Por isso, abre os olhos, e precavém-te de dissipar os poucos dias que te restam de vida na terra. Sê vigilante e fervoroso, conforme a graça a ti concedida pelo Senhor, declarando com o Apóstolo: A graça que ele me deu não tem sido inútil (1Cor 13,10) porque com ardor vos procuro (Sl 62,1).

 

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9 de junho

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA

PRESBÍTERO

missionário jesuíta no Brasil

  

José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, na cidade de São Cristóvão da Laguna, na ilha de Tenerife, do arquipélago das Canárias, Espanha. Foi educado na ilha até os quatorze anos de idade. Depois, seus pais, descendentes de nobres, decidiram que ele continuaria sua formação na Universidade de Coimbra, em Portugal. Era um jovem inteligente, alegre, estimado e querido por todos. Exímio escritor, sempre se confessou influenciado pelos escritos de são Francisco Xavier. Amava a poesia e mais ainda, gostava de declamar. Por causa da voz doce e melodiosa, era chamado pelos companheiros de "canarinho".

 Mas também tinha forte inclinação para a solidão. Tinha o hábito de recolher-se na sua cela ou de retirar-se para um local ermo a fim de dedicar-se à oração e à contemplação. Certa vez, isolou-se na catedral de Coimbra e, quando rezava no altar de Nossa Senhora, compreendeu a missão que o aguardava. Naquele mesmo instante, sentiu o chamado para dedicar sua vida ao serviço de Deus. Tinha dezessete anos e fez o voto de consagrar-se à Virgem Maria.

 Ingressou na Companhia de Jesus e, quando se tornou jesuíta, seguiu para o Brasil, em 1553, como missionário. Chegou na Bahia junto com mais seis jesuítas, todos doentes, inclusive ele, que nunca mais se recuperou. Em 1554, chegou à capitania de São Vicente, onde, junto com o provincial do Brasil, padre Manoel da Nóbrega, fundou, no planalto de Piratininga, aquela que seria a cidade de São Paulo, a maior da América do Sul. No local foi instalado um colégio e seu trabalho missionário começou.

 José de Anchieta não apenas catequizava os índios. Dava condições para que se adaptassem à chegada dos colonizadores, fortalecendo, assim, a resistência cultural. Foi o primeiro a escrever uma "gramática tupi-guarani", mas, ao mesmo tempo, ensinava aos silvícolas noções de higiene, medicina, música e literatura. Por outro lado, fazia questão de aprender com eles, desenvolvendo diversos estudos da fauna, da flora e do idioma.

 Anchieta era também um poeta, além de escritor. É célebre o dia em que, estando sem papel e lápis à mão, escreveu nas areias da praia o célebre "Poema à Virgem", que decorou antes que o mar apagasse seus versos. A profundidade do seu trabalho missionário, de toda a sua vida dedicada ao bem do próximo aqui no Brasil, foi exclusivamente em favor do futuro e da sobrevivência dos índios, bem como para preservar sua influência na cultura geral de um novo povo.

 Com a morte do padre Manoel da Nóbrega em 1567, o cargo de provincial do Brasil passou a ser ocupado pelo padre José de Anchieta. Neste posto mais alto da Companhia de Jesus, viajou por todo o país orientando os trabalhos missionários.

 José de Anchieta morreu no dia 9 de junho de 1597, na pequena vila de Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo, sendo reconhecido como o "Apóstolo do Brasil". Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1980. A festa litúrgica foi instituída no dia de sua morte. Foi canonizado pelo papa Francisco em 3 de abril de 2014.



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12 de junho

BEM-AVENTURADA IOLANDA

RELIGIOSA

da Ordem II

 

Nasceu na Hungria, pelo ano de 1235, e era filha do rei Bela.

Educada por sua irmã Cunegundes, casou em 1256 com Boleslau, de quem teve três filhas.

Dedicou-se às obras de caridade, sobretudo para com os doentes e pobres.

Com a morte do marido, ingressou num mosteiro de Clarissas, onde se distinguiu por sua humildade e contemplação das coisas do alto.

Morreu em 1298.

 

Oração do dia:

"Ó Deus que ensinastes à Bem-aventurada Iolanda preferir o humilde seguimento do vosso Filho, às honras e riquezas deste mundo, fazei que, por seus méritos e intercessão, saibamos desapegar-nos das coisas que passam e procurar de coração sincero as eternas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".

 

DA OBRA DE PERFECTIONE VITAE AD SORORES, DE SÃO BOAVENTURA, BISPO

A pobreza é virtude necessária à integridade da perfeição de tal modo que ninguém sem ela pode ser perfeito, segundo atesta o Senhor no Evangelho: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dando-os aos pobres (Mt 19,21).

Como a suma perfeição evangélica consiste na excelência da pobreza, quem ainda não tiver se tornado perfeito imitador da pobreza evangélica, não acredite ter chegado ao cume da perfeição. Tu, porém, virgem de Cristo, e serva do Senhor, como podes procurar as riquezas se fizeste voto de pobreza, se vives entre os pobres de Jesus Cristo, se queres ser filha do pai Francisco que foi pobre, se prometeste ser imitadora da mãe Clara, também pobre.

Desmesuradamente fica confundida a tua avareza e a minha, porque sendo professos de pobreza, trocamos a pobreza pela avareza, desejando o que não é permitido, almejando o que a regra proíbe; e, no entanto, o Filho de Deus por nós se fez pobre.

Tenho certeza de que na medida em que fordes mais fervorosas amantes da pobreza professada, e mais perfeitas imitadoras da pobreza evangélica, maior abundância tereis de todos os bens, quer temporais, quer espirituais.

Se, ao invés, desprezardes a pobreza que professastes, sofrereis penúria de todos os bens temporais e espirituais. Maria, pobre, Mãe de Jesus, que foi pobre, diz: Saciou de bens os famintos, e despediu os ricos de mão vazia (Lc 1,53). Atesta-o igualmente o santo profeta ao declarar: Os poderosos empobreceram e passaram fome; mas aos que buscam o Senhor nada lhes falta (Sl 33,11).

Não lestes, não ouvistes como o Senhor Jesus falou aos apóstolos no Evangelho de Mateus:Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isto. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós (1 Pd 5,7).

Ó feliz serva de Deus, recorda-te da pobreza de nosso Senhor Jesus Cristo que foi pobre, imprime em teu coração a pobreza de teu pai Francisco, pobre, lembra-te da pobreza de tua mãe Clara e com todo o empenho, com todo o esforço, adere a ela, abraça-a e não ames sob o céu, pelo nome do Senhor, senão a pobreza, e não a honra nem qualquer bem temporal nem as riquezas; mas anela firmemente por observar a pobreza santa que prometeste.

Ter e amar as riquezas é infrutífero; amar e não ter, perigoso; ter, porém, e não amar é laborioso. Não ter nem amar as riquezas, portanto, é útil, deleitável e ato de virtude perfeita; por isso, o conselho e exemplo do Senhor a respeito da pobreza devem mover e inflamar todos os cristãos ao seu amor. Ó feliz pobreza, como tornas amável a Deus, seguro no mundo, aquele que te ama!



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13 de junho

 

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA (OU DE LISBOA)

 

PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA

 

da Ordem I

 

 

Nasceu na cidade de Lisboa, em Portugal, pelos fins do século XII.

Professou entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, passando, pouco depois da ordenação sacerdotal, para os  Frades Menores, a fim de se dedicar à pregação da fé entre os povos da África.

Pregando com grande fruto na França e mais tarde na Itália, converteu muitos hereges e foi o primeiro a ensinar Teologia aos irmãos em sua Ordem.

Escreveu sermões cheios de doutrina e unção.

Morreu em Pádua, no ano de 1231.

 

 

Oração do dia:

 

"Deus eterno e todo-poderoso, que destes Santo Antônio ao vosso povo como insigne pregador e intercessor em todas as necessidades, fazei-nos, por seu auxílio, seguir os ensinamentos da vida cristã, e sentir a vossa ajuda em todas as provações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".

 

 

DOS SERMÕES DE SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA, PRESBÍTERO

 

Quem está repleto do Espírito Santo fala vária línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as veem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos fartos de palavras, mas vazios de obras; e por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: "Há uma lei para o pregador: que faça o que prega". Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.

Os apóstolos, entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava (cf. At 2,4). Feliz quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas ideias! Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. Destes e de outros semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias:Terão de se haver comigo os profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo - oráculo de Senhor (Jr 23,30-32).

Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo, ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno e Trino.



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